terça-feira, 22 de maio de 2012

Sobre dores e urgências

O tempo do médico é outro, é diferente do tempo do "paciente". Não que o paciente seja impaciente, mas é ele que sente na pele. O médico sente em outro lugar, não sei bem aonde. Se ele julga que não há gravidade ou perigo de vida, não se importa muito com o viver, com cada minuto que o paciente tem pela frente. Mas, pergunto: como esperar até amanhã só por saber que não há perigo de vida?

sábado, 19 de maio de 2012

O medo, esse bobo

Em algumas pessoas o medo se mostra como impaciência e irritabilidade, e, quase sempre, essa irritação é dirigida aos próximos na forma de agressividade.

Medo, puro medo que não se sabe medo, não se reconhece como tal. 

domingo, 6 de maio de 2012

palavras

Foto grafia
Foto poesia
Eu tenho fotossensibilidade

sábado, 5 de maio de 2012

Estranho

Hoje acordei em abril.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Cem dúvidas e sem certezas

Alguém que ande pelas margens, beirando n possibilidades sem (querer) optar - para não perder ou para não ganhar?

Esse alguém, não é um alguém que eu gostasse da companhia, pois que parece escorregar e deixar escoar a vida, as alegrias, ao menos.

Talvez se guarde, talvez tema o sofrimento; talvez nem sofra, olhando à distância, sentindo com reserva, tocando sem pegar.

Fantasias.

Máscaras?

Não que eu tenha certezas.

domingo, 22 de abril de 2012

Amor Líquido

"Desejo e amor encontram-se em campos opostos. O amor é uma rede lançada sobre a eternidade, o desejo é um estratagema para livrar-se da faina de tecer redes. Fiéis a sua natureza, o amor se empenharia em perpetuar o desejo, enquanto este se esquivaria aos grilhões do amor.
(...)
Estar 'conectado' é menos custoso do que estar 'engajado' - mas também consideravelmente menos produtivo em termos da construção e manutenção de vínculos.
(...)
Os estranhos não são uma invenção moderna, mas aqueles que permanecem estranhos por um longo período,ou mesmo perpetuamente, são."
Zigmunt Bauman

domingo, 15 de abril de 2012

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Fragmentos de escritos

Eu quero o mundo.
E, ao mesmo tempo, não quero quase nada.
O essencial e um carinho a mais, é o que basta.

As nuvens raptaram a lua cheia.
Quero um raptor, alguém que me trague, que me leve, que me traga alegria leve.

Sinto falta de alguém para andar junto.
Queria com.

[nesses dias de escrita diária, percebi 3 movimentos: o ilustrado acima, o da série de 6 raios x, e um sonho que tinha como centro 3 palavras: Era Eva Evandro]

Florais de Bach, Arteterapia, Psicologia



quarta-feira, 11 de abril de 2012

Medicina diagnóstica 3

Hoje fiquei 3 horas esperando para ser atendida na Clínica Artro, na Rua Cinco de Julho, em Niterói.

É um absurdo.

Por que nos submetemos a isso?
Por que os médicos, clínicas, planos de saúde ou quem de direito não reavalia os critérios de atendimento?
Por que não reavaliamos nossos critérios?

Cansei.
Não pretendo mais ir à Artro e pretendo diminuir muitíssimo minhas consultas e exames. Eles fazem mal a minha saúde.

domingo, 8 de abril de 2012

Reflexões em noite de lua cheia

As nuvens raptaram a lua cheia.
Quero um raptor, alguém que me trague, que me leve, que me traga alegria leve.

06.04.12

sábado, 7 de abril de 2012

Sábado de Aleluia - Malhação de Judas

(...) acho que acordei com a sensação de poucos amigos, poucas respostas, (...), meio Judas, meio Jesus e todo mundo traído. Meio na cruz.

(...) , desapego. Difícil.

Fui arrumar umas coisas, lavar a louça, (...), guardar o que não está sendo usado, trocar a colcha da cama. Alívio. Precisava aterrar, (...) contrabalançando o trabalho dos dias anteriores (...)

Os opostos, o equilíbrio, o exercício diário. Não cair na armadilha.

...

MÚSICA!

UFA!


p.s.: o trabalho dos dias anteriores intitula-se:
Perfis - Outra forma de contar o tempo.
Qualquer hora mostro aqui.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Lua Cheia



Ainda há pouco, 1h da manhã, fui fechar a janela do quarto para dormir e a lua estava esperando para ser admirada e fotografada. Alguns cliques e lá se foi, esconder-se nas nuvens. Lua cheia, vou esperar nosso reencontro mais tarde.


domingo, 1 de abril de 2012

Corpo

Revisitando o trabalho com e sobre o corpo, agora através da música. Reencontro com Dioniso. Feliz!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Alegria e presença

Sonho
E um querer sem compromisso me visita
Leve e presente
Desejo um certo alguém.

domingo, 25 de março de 2012

"se quiseres ser feliz, não analises"

procurando repertório
repertório enorme
sem explicação
confetes, serpentinas
beijos!!!!!!
Era óbvio

Brincando com o novo repertório

O que você quer saber de verdade?
Não é proibido.
Seu olhar Não Era óbvio.
Tudo novo de novo,
Seja feliz.

Quase-encontro

E o menino correu para encontrar a mãe.
E correu e correu.
Mas foi impedido.
Corte.

Depois ainda acreditou ser possível.
Até o ponto em que desistiu, novamente impedido pelas circunstâncias.
Parada.

A tentativa de tirá-lo do exílio, de mostrar-lhe outra direção - a de Eros e Dioniso - foi em vão.
O menino refugiou-se em Maya.
E era verão.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Doença autoimune e autorreconhecimento

Estou triste porque o Anselmo se foi em decorrência de uma doença autoimune - a doença de Still. Ficou quase três meses no hospital e agora deixou Carol com os gatinhos.

Síndromes autoimunes podem ser graves ou não; podem ser sistêmicas; são crônicas e produzidas por anticorpos que falham no reconhecimento do próprio organismo; as causas não são conhecidas, em algumas fala-se em tendência familiar; estão descritas no campo da reumatologia e são de difícil diagnóstico, talvez por poderem apresentar grande quantidade de sintomas em diferentes tipos de associações.

Eu tenho uma doença autoimune, a síndrome de Sjögren, por isso já li muito sobre o assunto, ouvi médicos, fiz exames, entendo a "lógica" da síndrome e estou feliz por ela se manifestar de forma muito branda em mim, já conversei e ouvi relatos de outros portadores e sei que a autoimunidade pode gerar quadros severos.

Ouço algumas pessoas dizerem que a causa é o estresse, que não podem ficar nervosas para não desencadear a doença. Acho que há uma pequena confusão sobre isso. Não é o simples ato de "ficar nervoso" que detona a doença, a coisa toda é mais sutil e, paradoxalmente, complexa. Creio que o estresse pode causar todas ou quase todas as doenças por se tratar de uma condição desestabilizadora, e o organismo em desequilíbrio está mais suscetível a adquirir e produzir doenças. Talvez seja difícil encontrar a palavra melhor para a condição promovedora das autoimunes, e aí facilita usar o termo estresse que significa quase tudo que se possa pensar em termos de causas e sintomas.

O ponto crucial das autoimunes está relacionado ao RECONHECIMENTO próprio. É preciso estar atento a isso: autorreconhecimento. Muito além do que se acredita comumente, o sistema imunológico é uma rede inteligente, e não apenas um sistema de defesa. Não há defesa sem reconhecimento. Eu tenho pensado em mim e na minha condição de portadora de doença autoimune a partir desta perspectiva.

Doenças autoimunes...


... bah ...

quarta-feira, 7 de março de 2012

Ressaca

A minha última ressaca - há muito tempo - levou-me a optar pela consciência e eu parei de beber. Fiquei anos sem beber nada que contivesse álcool. Depois abri algumas exceções em ocasiões especiais e, pensando bem, em algumas nem tão especiais assim.

Bom, fato é que não bebo. Não bebi hoje, nem ontem, nem no último mês. Mas hoje estou de ressaca. É uma vaga sensação de que algo não está como deveria, sensação de estranheza, uma coisa meio lenta, ou melhor, parada no ar, um peso nos olhos, como se tivesse chorado horrores.

Vou caminhar pra espantar a uruca...
Vou encontrar a lua cheia!...

Será que estou assim por influência dela?
Ela rege meu signo, cuidadora dos ciclos, dos ritmos, das emoções, do inconsciente, dos mistérios.

É, pode ser.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Sinto-me um personagem de desenho animado


Sabe quando um personagem de desenho animado escorrega numa casca de banana e cai estatelado de costas no chão? Pois é. Algo assim aconteceu comigo ontem, sinto-me um personagem de desenho animado.

Assustador. Essas coisas acontecem com a gente de verdade.

Devido a um acidente doméstico, a área de serviço ficou cheia d'água, então fui tirar a água com o rodo - detalhe importante: a água continha sabão. Quando meus pés saíram do chão pensei: não posso bater com a cabeça, para, em seguida, ser totalmente contrariada pela realidade e bater, com toda força, com a cabeça no chão. Levantei rápido, sentia-me levemente aérea, com a cabeça meio ardida - ali pelo lobo occipital e parietal, mas estava bem. Achamos melhor ir ao hospital.

Minha pressão estava ligeiramente alta, talvez pelo susto, recebi uma pulseirinha verde - indicativa de urgência e perigo de morte (eu acho que qualquer coisa na cabeça eles colocam esta referência), o atendimento médico não demorou muito, ele pediu uma TC. Aí, mesmo com a dita pulseirinha só fui chamada para o exame 2 horas depois... O médico da emergência viu as imagens e/ou conversou com o radiologista e me disse que estava tudo bem, que "foi só a pancada". SÓ????? Voltei pra casa com uma receita de anti-inflamatório e me sentindo melhor.

Dormi e acordei de repente na hora de tomar o remédio. Tinha tido um sonho, uma viagem, um evento em Fortaleza, muitas pessoas conhecidas ou não, uma surpresa e uma história quase-real. Acordei com a sensação de estar no passado... a pancada me fez errar o tempo da vida? Mas foi rápido, logo logo tomei o anti-inflamatório e voltei ao presente.

Estou com dor nas costas e no pescoço, deve ser pela batida forte; e os movimentos rápidos me incomodam. Mas, passou o período de 24 hs de observação e eu não desmaiei e não vomitei, isso é ótimo sinal, segundo o médico que me atendeu na emergência.

Não tive lapsos de memória, ainda sei quem sou e onde moro, reconheço as pessoas e não perdi a noção de tempo.

Ontem tomei sorvete e hoje comprei 3 barras de chocolate, mas isso não é sinal de que meu cérebro está funcionando diferente do normal, ao contrário... Isso é sinal de um mau hábito de recompensa através de comida, especificamente doces, hábito adquirido no início da vida, quem sabe ainda intra-útero, e passado de geração em geração.

Como nos desenhos animados, o tombo foi um episódio isolado e sem consequências. Ainda bem!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

25.02.12


E eu voltei várias e várias vezes à quaresmeira. Voltei os olhos, a câmera, o foco. À grande, mas às outras também. Sua presença me chamava, me chama. O resto não importa. Perdão. E paz.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Viver é impreciso

Tem gente que gosta de viver de sonhos, projeções, encantamentos, no plano das ideias. Apenas. Satisfazem-se assim. Ou só sabem ou conseguem assim. Eventualmente um ou outro momento no plano real, das experiências palpáveis, das realizações. Mas essas experiências mais envolventes, que envolvem todos os sentidos, fazem perder o sono. Então, eles voltam, rapidamente, para o mundo dos sonhos - lugar menos perigoso.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Ex-amores

Me peguei pensando nos meus ex-amores. Andei lendo uns e-mails antigos. Aí fiquei com isso na cabeça. Talvez porque esteja aberta a um novo amor, como disse o filme ontem: "eu estou esperando alguém".

Podemos ter tantos amores, não é? Sentir tantas vezes paixão. Desde o da infância, talvez platônico; até o mais recente, talvez breve promessa. Alguns de nós mais, outros menos, mas, todos temos ex-amor(es). E todos viramos poetas. Ah, as poesias de amor! Talvez a expressão mais sublime do humano. E, do outro lado, as vozes da separação - quase sempre a nossa pior voz.

Quantas vezes já pensei que fosse para sempre? Não todas. Quase. Mas, como "sempre não é todo dia", há de se aprender o desapego. Do objeto/sujeito da paixão, da história, da rotina, das promessas, sonhos e expectativas. As lembranças não precisam ser esquecidas. Será? Talvez precisem, para que possamos seguir. Para, cedo ou tarde, encontrarmos o próximo amor que, este sim, durará para sempre.

Uns são longos e rasos; outros, rápidos e marcantes. Sim; há os longos e marcantes. Já os rápidos e rasos talvez devam pertencer a outra categoria que não a do amor. Paixões. É, estas podem ser rasas e rápidas. Há as paixões proibidas, mas inevitáveis, aí é preciso olhar no espelho diariamente, pela manhã, e repetir: não me apaixonar, não me apaixonar, não me apaixonar de verdade. Funciona.

Dava pra ficar aqui escrevendo muito mais sobre o tema. Mas, é recomendável não se ater muito aos ex. Afinal, passou. Eu acho que ex é ex, status imutável, mas há quem discorde. Talvez seja por isso que eu demore um pouco a dar como encerrada uma história.

Estou pensando num livro que una fragmentos de amores - hoje ex.

Todo amor é verdade. E toda verdade é mutável.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

É carnaval

Fui caminhar na areia. Atravessei a praia e cheguei junto ao mar. No ipod Lenine, Marisa Monte, mas, as ondas queriam conversar. Desliguei a música. O som do mar me ganhou. Observar o mar com suas ondas calmas insistindo, vez ou outra, em elevar a maré; o céu ainda claro querendo anoitecer com suas nuvens rosas; a outra cidade ao lado com suas montanhas e luzes; crianças e seus montinhos de areia; pessoas passeando, admirando, fotografando, pescando, brincando. A praia tem seu próprio ritmo e hoje ritmo tranquilo de gente que parece só querer aproveitar a vida, o momento; sem os circuitos e seus bambolês e pessoas correndo de costas e pulando cones. Presença. Me senti (n)aquele cenário, (n)aquela paisagem. Eu, o mundo, as outras pessoas, sem identidades, éramos todos um cenário. Ninguém queria saber sobre mim e eu não queria saber sobre ninguém, existíamos assim, no todo, presença sem particular. E os sons das ondas, das crianças, dos cachorros; as vozes. A primeira estrela e a noite ainda era clara, o mar ainda convidava à permanência naquele cenário. E o cheiro do mar me tirou daquela realidade e me levou a lembranças, memórias muitas, distantes e nem tanto, de fatos, de sensações, de pessoas, de épocas, de outros cheiros - de tangerina, por exemplo. E uma sensação de pertencimento me afetou, por causa daquele cheiro de mar que é lembrança antiga. O meu lugar é um lugar de mar, de andar ao lado do mar, de sentir o cheiro e o som e dormir com as ondas batendo. Um lugar com mar é o meu lugar. Esse mar é o meu mar - calmo, que me convida, que me inspira, que me deixa andar junto e brinca comigo molhando meus pés. Um lugar com a brisa do mar é o meu lugar, porque lá minhas memórias me lembram do particular, do íntimo, mas não me tiram do cenário. Lá eu sou cenário, mas pertenço. Noite escura, estrelada, linda!, noite acolhedora que ainda me chama. A noite é o sujeito e eu sou o seu cenário. Ficções.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Sentido para a vida

Às vezes eu queria ser do tipo que é levado pelo fluxo, que diz "não tem outro jeito, é assim mesmo"...
Às vezes, por milésimos de segundos, parece tão mais fácil...

Você tem essa sensação?

Aí, 3 segundos, respiração, e ... volto a mim!!
E vejo que melhor mesmo é viver de forma que faça sentido!
Bora fazer a vida ter sentido!!


domingo, 12 de fevereiro de 2012

O encontro com a deusa

"A mulher representa, na linguagem pictórica da mitologia, a totalidade do que pode ser conhecido. O herói é aquele que aprende. À medida que ele progride, na lenta iniciação que é a vida, a forma da deusa passa, aos seus olhos, por uma série de transfigurações: ela jamais pode ser maior que ele, embora sempre seja capaz de prometer mais do que ele é capaz de compreender. Ela o atrai e guia e lhe pede que rompa os grilhões que o prendem. E se ele puder alcançar-lhe a importância, os dois, o sujeito do conhecimento e o seu objeto, serão libertados de todas as limitações. A mulher é o guia para o sublime auge da aventura sensual. Vista por olhos inferiores, é reduzida a condições inferiores; pelo olho mau da ignorância, é condenada à banalidade e à feiura. Mas é redimida pelos olhos da compreensão. O herói que puder considerá-la tal como ela é, sem comoção indevida, mas com a gentileza e a segurança que ela requer, traz em si o potencial do rei, do deus encarnado, do seu mundo criado."

Joseph Campbell em O Herói de Mil Faces

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Promessas e possibilidades


Sete e meia da manhã. Olhar o Rio, à distância, num dia de sol, é claro, reluz. É só branco - cimento e areia e azul - amplidão. É nítido - promessas e possibilidades.

No Mar, barCos - movimento e placidez.

Aqui, em mim, realidade. Cores, cheiros, sons, gente.
Rotinas, surpresas, promessas e possibilidades.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Canto

A música é o (meu) acabamento.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Re-inauguração de mim

Numa serra perto (como previsto), com champanhe, trilha, lareira, afinidades.

Mas... o destino é um gozador - diferença de timing.

Reajuste de expectativas.

Mudança de estratégia, "sem pressa e sem pressão" (exercício do cantar).

O tempo do relógio é ilógico.

Samsara - a vida, o ir e vir.

29.01.12

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Tempos e Processos

Hoje, 19 de janeiro de 2012, querendo localizar um escrito encontrei outro, de 19 de janeiro de 2008, que se segue:

Nasci em meio ao golpe militar. Pari no tempo da liberdade, da democracia. Meus projetos, filhos, desejos são libertos, são para si e para o mundo, têm possibilidade de expressão e desenvolvimento com liberdade. Não concebo a imposição.

No entanto, que estranho, tenho agora algum sentimento de aprisionamento. Eu própria não consegui me libertar por completo. O que posso fazer agora para me livrar?

Exatos 4 anos depois, sinto-me muito melhor!!

sábado, 14 de janeiro de 2012

"A pele que habito" *

* filme de Almodóvar e ótimo título para este post.


(Autorretrato - grafite e pastel oleoso sobre papel - início em algum dia de 2006, término em 15/01/2012)


Olá tudo que gosto! Voltei!

"Meu coração lá de longe faz sinal que quer voltar." 1

Nunca tinha montado esse "quebra-cabeça", sempre fazia quadro a quadro. Agora resolvi colocar na parede e descobri seu real tamanho (1m50x1m68).

A questão não é que "o todo é maior que a soma das partes", e sim, que a soma das partes é maior do que eu supunha.

Pronto, agora posso voltar a seguir pelo meu caminho; depois de pegar atalhos desérticos com tempestades de areia, sol escaldante, miragens, pouca água e pouca sombra, ambiente árido e raríssimos oásis.

"Partir para o deserto | É partir | Para o mais longe | De si mesmo." 2

Mas, a bagagem não vem vazia, desertos ensinam, ninguém sai impune deles.

"No deserto, a criatura humana se despoja de si, enfrenta seus demônios e forja a própria identidade." 3

De volta. Melhor.

"A paz invadiu o meu coração." 4


1 Arnaldo Antunes
2 Jean-Yves Leloup
3 Idem
4 Gilberto Gil


Sobre a feitura ou modo de fazer:

Acertar a colocação não é fácil.
É preciso precisão.
Uma mínima diferença põe o todo a (se) perder.
E é preciso começar de novo, um a um, questão de milímetros.
O tempo do relógio não é suficiente.

O colorido surge, olhos e boca.
Não é fácil.
A boca é a última cor a se formar.
Dificuldade.

Boca - lugar da voz, do sopro.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Mudanças


Há algum tempo quero mudar uma parede do meu quarto. Mas essas coisas têm seu próprio tempo. Primeiro eu não queria mais da maneira que estava, mas não tinha resolvido o que colocar. Aí as ideias começaram a surgir, na verdade, a ideia surgiu, pensei em algumas possíveis variações mas o trabalho era aquele.

Ontem, quando deitei, decidi a versão. É hora de trabalhar numa imagem que eu julgava pronta, apesar de inacabada. Interessante, um trabalho de 2006 vai voltar para ser completado. Realmente, 2006 foi um ano que marca uma mudança em mim e/ou na minha vida.

Sei que há tempos estou no processo de "voltar a mim", estou chegando lá (ou aqui!... rs).

Tirar tudo dessa parede faz parte disso, embora ela seja de final de 2008, talvez quando tenha iniciado o processo de "sair do surto"... É, o caminho é longo, sempre, pra mim é.

Algumas marcas surgem na parede e é preciso dar conta delas, para que não atrapalhem a realização atual. Acho que vão atrapalhar... Sabe aquela "casquinha de machucado"? Outro dia um amigo meu falou que a arte e os relacionamentos podem machucar.

Algumas coisas estão muito coladas é preciso força para arrancar. E o que fazer com tudo isso que não tem mais lugar ali? Destino: lixo. Porque, gente, o desapego faz bem à saúde. E o que não serve mais precisa ser recolhido ao lugar de "coisas que não devem mais ocupar espaço na sua vida". Estou pensando nos reflexos que essa parede pode ter causado na minha cama, é a parede da cabeceira.

Eu não tenho muita força nos braços e mãos mesmo, acabei com meus dedos... preciso de um assistente de atelier; e de um atelier também...

Ah! A cama está intacta! Ainda bem, porque não pretendia trocá-la.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Em 2012:

Coragem e gentileza, afeto e arte, simplicidade e ousadia!!!!



segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O que será o amanhã?

Meu futuro, projetado agora com o lápis de joaninha, será repleto de zelo, cuidado, atenção, delicadeza, carinho, amor, calor, gente querida, generosidade, fartura, compaixão, amizade, paz, partilha.

[Rita me ligou, o feijão está no fogo, mantras, incenso, vela de coração vermelho]

Escolhas boas e conscientes, guiadas pelo bem e pelo otimismo.

Em direção ao sol.

Poder do amor, do cuidar e da generosidade.

Parcerias de valor, parceria de amor.

Chove lá fora para clarear aqui dentro, para limpar, curar, dar transparência. Depois - quando der - o sol, para transparecer a luz que se fez dentro.

Barbatuques. Paisagens. Viagens.

Movimento e reflexão.

Cooperação.

Ritmo e criação.

Gratidão.

Sacralizar a vida. Fazer valer - valor.

sábado, 19 de novembro de 2011

Arnaldo, passarinhos e palavras


No lugar de música, sentimentos costurados ao som de palavras inéditas; risos, lágrimas contidas - mantidas nos olhos, afetos revisitados.

A realidade diferente da expectativa, do desejo, do sentimento anterior; sem julgamentos, apenas o que precisava ser.

Noite feliz?! Não do menino; dos passarinhos. Reinauguração de afetos.

"Onde estavas, lugar?"

"E no filme eu também acreditava em me salvar no final."

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Cor de rosa

A garotinha ia para o balé com a babá.
Vestia rosa dos pés à cabeça e perguntava: Quando vou ser adulta?
A babá respondeu que quando fizesse 18 anos e que faltavam 14.
A menina, feliz, comentou: Então, quando eu tiver 18 anos eu vou ser adulta e quando furar a orelha pra colocar aquele furo enooooooooorme, nem vou chorar. E completou: Também não vou chorar quando for pra escola, porque adulto não pode chorar.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Coisas simples

O homem sentou à mesa acompanhado de um amigo. Antes de começar a comer, ficou em silêncio e fez gesto de reverência frente ao prato, provavelmente agradecia a seu Deus pelo alimento.

Eu já ocupava um dos lugares naquela mesa e aquele ato chamou minha atenção. Não pela oração, mas pelo fato de ele manter o hábito de agradecer a refeição mesmo num restaurante cheio de pessoas falando ao mesmo tempo, rindo alto, comendo rápido para voltar ao trabalho, conversando sobre problemas ocorridos pela manhã ou que precisariam de solução à tarde, além das televisões colorindo as paredes.

Almoçamos em silêncio. Como quase nunca consigo quando divido a mesa com outros estranhos.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sobre música

A música em mim.
A chuva, as lágrimas.
A vida voltando a se apossar de mim.
Que alegria viver!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Projeto Qualidade de Vida

PROJETO QUALIDADE DE VIDA

corpo|alma|mente|criatividade|

comunicação|comportamento

3 módulos:

è CUIDADOS PESSOAIS

* Meditação – do latim, refletir, voltar a atenção para dentro de si

* Reconhecimento e metas – quem sou e o que quero

* Neuróbica – exercícios mentais para a estimulação do cérebro

* Cuidados com o corpo – alimentação, exercícios físicos, massagem

è CRIATIVIDADE E COMUNICAÇÃO

* Motivação e expressão – o que me movimenta e qual o meu estilo

* Exercícios de criatividade – despertando o potencial criativo

* Comunicação – acertos, falhas e ruídos

è PADRÕES DE COMPORTAMENTO

* Padrões – entendendo hábito, impulso, necessidade

* Administração do tempo – fazendo escolhas

* Movimento Slow – contrapondo a pressa

* Ferramentas de mudança – como modificar padrões

Atividades paralelas:

Grupo de Meditação|Oficina de Criatividade|Oficina de Memória|História da Arte

TURMA 1 – Quintas-feiras de 19h às 21h

Setembro: 8, 15, 22, 29|Outubro: 6, 13, 20, 27|Novembro: 3, 10, 17, 24

TURMA 2 – Sábados de 9h às 17h

24 setembro | 22 outubro | 26 novembro

CAROLINE TAVARES

Psicóloga – crp 14314/05 * Arteterapeuta – aarj 172 * Terapeuta Floral – de Bach

www.umfocosubjetivo.blogspot.com

www.campodeflor.blogspot.com

CONFIRME SUA PRESENÇA:

21 8624-0342

carolltavares@yahoo.com.br

Local: Rua Nilo Peçanha, 99/601 Ingá|Niterói

sábado, 6 de agosto de 2011

Reaja

Carta aberta do Senador Cristovam Buarque aos jovens brasileiros.
Revista do Meio Ambiente n° 37
www.portaldomeioambiente.org.br

Eu adorei o artigo: emocionante, estimulante, motivador, buscador da ética e da felicidade.
Gostaria de transcrevê-lo integralmente aqui, mas é muito extenso, por isso coloco algumas partes com o desejo que o leitor procure a revista - em papel ou na internet - para completar a leitura.

Contextualizando:
"Um filósofo francês de 93 anos de idade, Stéphane Hessel, publicou há pouco um panfleto de poucas páginas, com o título 'Indignem-se (Indignez-vous)'. Nele, defende que os jovens de hoje devem retomar a indignação que tinha sua geração contra o nazismo e o capitalismo. Adicionando a indignação contra o capital financeiro, a desigualdade entre trabalhadores e capitalistas, o que Israel faz na Palestina (e vale lembrar que Hessel é judeu) e a indiferença que tomou conta do mundo. É um bonito texto em menos de 30 páginas e que vem sendo vendido em grande quantidade. Comprei a 13ª edição. Mas é um livro de europeu da esquerda da civilização industrial, que aparentemente não vê que tão grave quanto a má distribuição de renda é o próprio conceito de riqueza; não capta que a exploração se dá também na destruição da natureza, que desapropria patrimônio das próximas gerações; nem que mais do que indignar-se, é preciso reagir. Foi inspiado no Hessel e seu livro que fiz este texto pedindo aos jovens que reajam às tragédias de hoje.


Carta aberta:

Reaja contra a definição de riqueza baseada na renda e no consumo. Entenda que mais vale o tempo livre, do que um carro no engarafamento. Mais vale respirar ar puro do que comemorar o aumento da produção.
Reaja contra a ideia de que a riqueza consiste em gastar a vida endividando-se e trabalhando mais do que o necessário. [...]
Reaja ao exibicionismo de consumir por grife. Reaja à propaganda que tenta ampliar suas necessidades e manipular seus gostos e gastos. [...]
Reaja à desigualde. Hoje, 1% dos ricos do mundo detém 40% do patrimônio mundial. [...] É preciso indignar-se como pede Hessel, mas também reagir a esta realidade imoral.
Reaja à "Cortina de Ouro" que serpenteia todo o planeta dividindo as populações de cada país entre ricos e pobres que de tão desiguais já começam a perder o sentimento de semelhança. Não aceite o risco de quebrarmos a convicção de que os seres humanos são todos semelhantes.
Reaja contra esta cortina que é invisível ao dividir países, mas é concreta nos muros dos shoppings centers, nas grades dos condomínios, nas muralhas que separam EUA do México, nos guichês da polícia de fronteira em cada país do mundo.
Mas não basta reagir a má distribuição da renda e do consumo, reaja ao consumismo, porque é impossível todos consumirem como os 20% mais ricos. O Planeta não suportaria. Não aceite esta ideia equivocada de que tudo fica obsoleto a cada ano. [...]
Reaja contra todo país que comemora ser uma potência econômica, sendo fracasso social, na educação, na saúde, na estrutura urbana, na distribuição de renda.
Reaja ao conceito de progresso baseado no crescimento econômico, que consome a vida das pessoas e destrói o equilíbrio ecológico em busca de aumentar a produção de bens materiais, privados e de cuta duração. [...]
Reaja contra a falta de liberdade. Grite, grite sempre e o mais alto possível por suas ideias. Reaja contra o silêncio que acomoda e engana. [...]
Reaja contra duas desigualdades imorais: no direito à vida, pela compra dos serviços de saúde; e no direito à qualidade de educação, pela compra do acesso às escolas. [...]
Reaja contra a realidade de crianças abandonadas, outras sem escolas, sem assitência médica.
Reaja contra o vazio ideológico que tomou conta do mundo. Não aceite a falta de propostas, de bandeiras de luta. Escolha a sua. [...]
Reaja contra a discriminação. Todas elas. Seja por um defeito físico, por raça, opção sexual ou pela religião professada. [...]
Reaja contra todas as formas de violência até mesmo quando feita contra criminosos, mas, sobretudo reaja contra a violência como são tratadas as crianças, as mulhees, os índios, os negros, os homossexuais.
Reaja aos absurdos orçamentos militares que no mundo inteiro consumiram em 2010 o equivalente a US$1,5 trilhão. Recursos que permitiriam educar todas as crianças pobres do mundo. [...]
Reaja a um discurso sobre reagir, fazendo-o obsoleto, porque você já está reagindo."

Citando William Morris

Pintor e escritor inglês, um dos fundadores do movimento Arts and Crafts no século XIX.

"A arte é a alegria no trabalho."

sábado, 25 de junho de 2011

Movimento na permanência

Fui aproveitar o solzinho de hoje mais cedo.
Uma volta na praia e um passeio pelo Campo de São Bento.
Percebi que algumas pessoas que vendem artesanato na feirinha, fazem isso há anos.
E pensei que aquelas barraquinhas estão ali há anos, os brinquedos e o carrossel estão ali há anos, que as crianças e seus pais com caras felizes estão ali há anos.
Lembrei de quando levava minhas filhas para passear ali, há 20 anos e, há mais tempo, quando eu era criança e levada a passear ali.
Pensei que continuava tudo igual, que a vida das pessoas é sempre a mesma. Pensei em quem tem um emprego há 27 anos e meio e conta os dias para se aposentar ou quem tem um casamento de prata ou ouro.
Foi aí que lembrei do que li ontem: "movimento na permanência", a propósito do simbolismo do caracol, e vi que estava equivocada.

Nada é como antes, apesar de parecer igual.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Limites

Ontem peguei um ônibus para o Rio e sabia que a viagem seria longa.

No Centro entrou um homem - Petrônio Rosa - dizendo-se artista, com um nariz de palhaço e um boné. Pagou a passagem e parou na roleta do ônibus. Começou o "show", tentando a simpatia e a interação com o "público". Logo que chegamos ao Rio, ele terminou a apresentação e distribuiu envelopes para receber contribuições.

Fiquei pensando.
Ok, as pessoas precisam rir mais, precisam se defender menos, ser mais leves.
Tá, o PR é um artista que precisa trabalhar, quer fazer rir e é um passageiro do ônibus, como os outros.
Sim, ele não ofendeu ninguém, algumas pessoas participaram, riram, bateram palmas e pagaram pelo show; ele deu referências, disse para procurarmos o nome dele na internet.

Qual é o limite dos direitos pessoais? O que alguém pode impor a outras pessoas? Que medida é essa?

Petrônio Rosa desenvolveu a maior parte de seu show no percurso da ponte Rio-Niterói, o que quer dizer que as pessoas estavam obrigadas a, ao menos, ouví-lo; pois não poderiam optar por abandonar o show, o dinheiro pago pela passagem e o seu destino, já que não há paradas de ônibus na ponte.

A ação de PR parece ingênua e amigável, mas talvez seja uma imposição que ultrapasse o tênue limiar entre os seus direitos e os dos outros.

domingo, 24 de abril de 2011

A Páscoa

Oportunidade de, entre um chocolate e outro, pensarmos no que precisa ser revisto, redescoberto, renascido. Momento de reflexão sobre o que merece ressurgir em nossas vidas e sobre nossas crenças, nossos votos, nossa fé.

domingo, 20 de março de 2011

Nova modalidade de chá de bebê

Outro dia saí de casa atrasada e logo três rapazes pediram um minuto da minha atenção, parei e falei que tinha um segundo. Um deles abriu um exame de ultrassonografia para eu ver, tinha uma nota de cinco reais na outra mão, disse que um amigo deles, de 15 anos, "acabou engravidando a namorada" e que eles estavam fazendo campanha para arrecadar dinheiro para comprar algumas coisas para ele. Não contribuí e segui apressada, ele agradeceu.

Fiquei perplexa!!!

O que teria sido aquela abordagem??

Será que um daqueles garotos era o pai da ultra? Ou foi uma ação entre amigos, sim, pura solidariedade com iguais? Talvez a mais nova modalidade de chá de bebê. Ou uma modalidade de golpe sensacionalista e/ou cara de pau.

Ainda não sei.
O que acham?

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Possíveis caminhos

"O inconsciente guia-nos em direção ao que precisa ser integrado e coloca-nos em contato com o eterno. (...) Quando a voz interna fala, é porque encontramos algo divino. (...) Esse mito [o individual] está sob nossa proteção. Trazê-lo para a consciência é a designação de nossa vida.(...) Tornar visível e consciente o sagrado é como descobrir e recuperar a jóia na ferida."

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Sobre o crescimento

O espaço é pequeno. Talvez não tanto, mas parece sufocar, conter. Será o espaço físico insuficiente? A semente que cresce rompe sua pele, inaugurando um percurso vertical rumo ao sol. Antes disso, porém, ela incha. Conhece o limite, o seu limite, isso é necessário para que possa ir além. No momento certo, a casca - antigo lugar de acolhimento - é abandonada em favor do crescimento natural, saudável, esperado. A lagarta também abandona o casulo quando alcança o status de borboleta; e aí, é preciso ter coragem de rompê-lo e voar rumo ao futuro. O bebê deixa o útero e passa a respirar. O amadurecimento pode ser observado através de fases, uma após outra, cada uma apontando para a necessidade de abrir mão de algo em favor do que está por vir. Momento crítico marcado pelo inchaço, pelo desconforto, pelo sufocamento; que, no próximo passo, dará lugar ao alívio, à abertura, à liberdade de uma nova fase.